sexta-feira, 28 de agosto de 2009

O mundo todo!


Estava hoje lendo uma revista de artes plásticas, e me deparei com uma duvida que me atormenta desde que me entendo por gente!
Querem saber? Então ta... Vamos lá.
Tudo começou com minha mãe e meu pai, que de algum modo me fizeram. Minha mãe me diz sempre que eu não fui planejada, e meu pai, que é a sensibilidade da família diz que fui a alegria da casa. Apesar de Saulo, meu segundo irmão homem, dizer que ele se afastou de “painho” por minha causa. Manuela, minha irmã mais velha, diz que sempre fui a sua filha, porque mainha vivia na boemia com painho! Me lembro de Lucas, meu primeiro irmão homem, me defendendo de Saulo, que costumava me fazer de cobaia pra suas brincadeiras de criança, ou ate mesmo, um modo de fulga de toda a sua raiva acumulada. Sim, hoje mantemos uma relação muito boa! Graças a Deus!
Sempre tive uma vida cigana. E a cada cidade que passava, levava tudo que podia de alguém. Um abraço, lembrança, aprendizado...
Quando morava em Juazeiro-Ba, queria ser juíza! Claro, né! Ia pra onde meu pai trabalhava e ficava lá dizendo que estava prendendo todos! Lembranças...
Ficava sentada em sua grande poltrona e mandando nas cadeiras, que por algum acaso, eu via pessoas lá!
Cresci e fui conhecendo um pouco mais do mundo... Foi ai que vi meu irmão indo morar fora, em Salvador... Quem ia me defender de Saulo? Assistir Bob Esponja comigo...?
Trocava cartas sempre com ele... E mandava sempre algum desenho que fazia!
Acabei achando aquilo tudo tão mágico, e acabei tendo nele um super herói.
Depois de longas andanças por ai afora... Cheguei em Salvador! Lembro como se fosse hoje, o nosso reencontro. Desci as escadas do meu apartamento às pressas e o abracei como se fosse a ultima coisa que pudesse fazer na vida.
Pronto! Estávamos todos juntos de novo...
Vivemos momentos felizes, tristes, mas sempre com o orgulho de sermos tão unidos! Tivemos perdas, e foi ai que percebi o quanto é bom ser sincero, e mesmo que pareça estranho, dizer te amo! E demonstrar o quanto gostamos das pessoas... A vida passa tão depressa, que nem percebemos tudo que foi deixado pra trás...
Eu ainda me imagino, naquelas cidadezinhas que morava, com minhas amiguinhas, indo e vindo descalça naquele chão de cimento; brincando no rio, pulando muro do vizinho pra furtar camarão, brincando de boneca... Indo pra roça só pra tomar banho de tanque... Indo pra casa de vovô comer feijão com manga e ver aquele jeito tão sereno... mas, que me passava uma confiança tão grande!
Mas, quando menos esperei. Ele já não estava lá! E mal mostrei o quanto o amava... Por que? Não sabia que o amava tanto..
Agora não, sou sincera, sincera ate demais! Sei o quanto minhas palavras irão mudar tudo, mas não me arrependo de nada! Eu aprendo cada vez mais com tudo, com todos, e digo se necessário todo dia o quanto meus amigos, minha família, me fazem bem!
Hoje, já não quero mais ser juíza, quero ser Arquiteta ou Engenheira! Quero construir, quero reformar, quero poder transformar um lugar em algo que fará alguém melhor; quero construir pensando no futuro, no bem estar; construir pensando em que irá habitar; construir sabendo que aquele cantinho, será o mundo de alguém..
Já que pra mim, o mundo foi “todo o mundo”!
Juliana Mutti

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